AGEMADUOMI REGIONAL DE CHORO


Agemaduomi. Foto: Alexis Prappas

Breve histórico do grupo

Agemaduomi? Essa pergunta é fatal para quem ouve o nome do Regional pela primeira vez. Num primeiro momento, ninguém entende exatamente o que a palavra quer dizer, mas quem ouve cinco minutos a apresentação de Thimoteo Lobreiro, Marco Antonio, Áttila Gomes, Orlando Brito e Adriano Praça, esquece o enigma para se concentrar na melodia perfeita dos cinco amigos. A receita que deu origem ao grupo em 1995 é simples, mas não é fácil de copiar. Talento, amizade e uma pitada de irreverência. Com esses ingredientes os amigos Thimoteo Lobreiro, Áttila Gomes, Marco Antonio, Alexandre Pacheco, Herbert Ghersel e Heitor Correia formaram, em 1995, o regional de choro Agemaduomi, carinhosamente facilitado para "Agema". Sempre com a proposta de pesquisar e divulgar o chorinho — estilo musical tipicamente brasileiro que nasceu no final do século 19 — o grupo, desde o primeiro CD, “Proezas”, lançado em 2002, procura inovar com arranjos novos e influência de grandes compositores, como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e contemporâneos, como Jacob do Bandolim.

Durante todos esses anos, o regional passou por algumas trocas de componentes, mas sem deixar a qualidade musical de lado. Em 2001 sai Alexandre e entra Celso Cordeiro, que logo após a gravação do primeiro CD, em 2003, também deixa o grupo ao lado de Herbert, por problemas profissionais. Foi quando as portas se abriram para Orlando Brito e Adriano Praça, consolidando o trabalho do grupo. Os dois, hoje ao lado de Thimoteo, Marco Antonio e Áttilla formam o Agemaduomi.

Não era brincadeira de criança

A formação oficial do grupo foi em 1995, mas cada um dos integrantes, sem saber, já se preparava para formar o regional, desde os tempos de criança. Todos despertaram para a música ainda na infância. Thimoteo batucava as panelas mãe em Salto Grande, Orlando descobriu o violão em Mato Grosso, Adriano se apaixonou pelos instrumentos de sopro em Pernambuco, Áttila começou a soltar a voz em Campo Grande e Marco Antonio também descobriu o dom pelo violão, em Corumbá. Até se encontrarem, a jornada foi longa. Cada um escolheu sua profissão, que sempre caminhou paralela a de músico, tocaram em bares, em outras cidades, alguns mudaram e voltaram para Campo Grande e participaram de outros grupos na adolescência. Alguns desses caminhos até se cruzaram nessa época, mas tudo ainda era um aprendizado. Só em meados dos anos 90 é que os talentos da primeira formação se uniram, criando a base perfeita para os nomes que vieram depois. Mais maduro musicalmente, o regional vem abrindo caminho no estado, conquistando fãs das novas gerações, que lotam a Confraria do Choro, que funciona todo domingo a noite, na casa de Adriano Praça.

Além de admiradores, os chorões também conquistaram o respeito da mídia regional e de grandes nomes da música sul-mato-grossense. Por isso, os dez anos de estrada não poderiam passar em branco. Com o lançamento do CD “10 anos de choro”, o regional revela que o próximo passo é levar o chorinho sul-mato-grossense para outras fronteiras, inclusive fora do país. Com dez faixas inéditas (uma para cada ano de existência), o grupo celebra muito mais do que a união musical, mas 30 anos de amizade entre Thimoteo, Áttila e Marco Antonio, que nunca desistiram de mostrar, com todo respeito aos paulistas e cariocas, que a nossa receita de chorinho pantaneiro, também é muito saborosa.

Ah, e se você ainda não entendeu o significado de Agemaduomi, a dica é ouvir o trabalho do grupo para descobrir como a boa música contribui com a essência do homem. Sacou?


Flavia Lima
Jornalista



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